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O AUTISMO E SUAS FACETAS

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) reúne desordens do desenvolvimento neurológico presentes desde o nascimento ou começo da infância. São elas: Autismo Infantil Precoce, Autismo Infantil, Autismo de Kanner, Autismo de Alto Funcionamento, Autismo Atípico, Transtorno Global do Desenvolvimento sem outra especificação, Transtorno Desintegrativo da Infância e a Síndrome de Asperger. Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais DSM-5 (referência mundial de critérios para diagnósticos), pessoas dentro do espectro podem apresentar déficit na comunicação social ou interação social (como nas linguagens verbal ou não verbal e na reciprocidade socioemocional) e padrões restritos e repetitivos de comportamento, como movimentos contínuos, interesses fixos e hipo ou hipersensibilidade a estímulos sensoriais. (fonte https://autismoerealidade.org.br/o-que-e-o-autismo/?gclid=CjwKCAjwxLH3BRApEiwAqX9arVb_aedrGyIU8fL9Qoby5yrnO6hpc7XXFcIdAmTtCQD7duS0-ZoIBxoCjCgQAvD_BwE) acesso: 19/06)

Pensar e consequentemente falar sobre o autismo não é uma tarefa tão fácil assim, porém vou tentar contar um pouco da experiência que tenho em relação a minha filha Luísa aqui nesse espaço e principalmente tentar evidenciar uma questão que acho extremamente importante que é a aceitação da sociedade em geral em relação a condição dos autistas.

Como disse acima sou mãe de uma menininha de lindos cabelos cacheados chamada Luísa de 5 anos de idade e que há exatamente 2 anos recebemos o laudo de autismo grau leve/moderado dela. Os primeiros sinais de autismo na Luísa eram mínimos e passaram por despercebido ate 1 ano e meio de idade, até então o  desenvolvimento da Luísa estava fluindo de maneira normal, já balbuciava algumas palavrinhas, fazia gestos de musiquinhas, dava tchau, olhava em nossos olhos e quando menos pensei comecei a perceber minha filha retraída, só querendo assistir TV o tempo todo, sem olhar nos meus olhos, sem responder ou pelo menos olhar quando chamávamos pelo nome dela, enfim senti ela diferente. Um pouco dessas características que citei acima e que aconteceram com a Luísa fazem parte do autismo considerado regressivo em que a criança tem um desenvolvimento considerável ate determinada idade e de repente ocorre meio que uma estagnação. E foi assim conosco, nossa família percebia que tinha algo acontecendo com a Luísa mais não sabíamos ao certo o que era.

A importância de se falar sobre o autismo nos dias de hoje com uma frequência maior é essa, que muitas famílias às vezes sem perceber estão vendo seus filhos com dificuldades e tem medo ou receio de procurar ajuda, de pesquisar, de avaliar o filho e uma informação bem repassada, um texto explicativo pode ajudar nesse momento de identificação do que esta realmente acontecendo.

Foi um longo caminho de mais de 1 ano até conseguirmos um laudo que realmente apontasse para o autismo da Luísa, com o laudo em mãos desde maio de 2018 iniciamos varias terapias (fonoaudiólogo, terapia ocupacional, psicóloga e equoterapia) com ela e os avanços são visíveis, porém ainda temos muito o que buscar, pois as dificuldades que ela tem são gigantescas, mais com força de vontade, fé e muita paciência pequenas (grandes) conquistas estão surgindo. Luísa ainda é não-verbal então as dificuldades são bem aparentes, já que ela tem vontades e anseios como qualquer outra criança típica, porém tem a dificuldade de não conseguir pedir algo oralmente, o que pode ajudar a ocasionar crises. Existem outras maneiras de comunicação que os autistas utilizam como o PECS (Sistema de Comunicação por Troca de Figuras), por exemplo, em que utilizamos figuras e que ajuda as crianças com TEA a aprender uma comunicação funcional.

Como disse no inicio desse texto, entender e conhecer o autismo e suas facetas requer muito cuidado e atenção, citei algumas características da minha filha, mais ressalto que como o autismo é um espectro ele apresenta muitas diferenças, ou seja, todos os pacientes com autismo partilham de dificuldades, mas cada um deles será afetado em intensidades diferentes, resultando em situações bem particulares.

Mesmo em meio a tantos desafios e dificuldades, o que nós país, familiares e amigos de famílias que têm autistas queremos é a aceitação, é ver o pai do coleguinha da sala da minha filha explicar a ele(a) que tem uma amiguinha especial na sala e que ela pode fazer movimentos repetitivos, balançar as mãos, correr pela sala e etc, mais que ela tem de ser respeitada e principalmente aceita do jeito que ela é. Pode ser difícil pensar em como explicar isso para uma criança, mais garanto que será uma lição de amor e respeito que ele não irá esquecer.

Termino esse relato pedindo, ou melhor, suplicando por duas coisas RESPEITO e EMPATIA se essas duas palavras tão pequenas fizerem sentido a vida da minha filha e de muitas outras crianças, adolescentes e adultos autistas do mundo afora será muito melhor.

O autismo me ensinou que o melhor presente de todos é o amor! Amo a minha Luísa.

Professora Natalia Santos Oliveira.

Fonte da imagem: https://br.pinterest.com/pin/821625525745763100/

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